A ameaça à democracia põe em risco o futuro do país

O Brasil vive hoje um dos piores momentos da sua história recente. A taxa de desemprego está em 14,6%, a inflação alcançou 8,9%, temos o índice recorde de miséria, a maior taxa de desmatamento da Amazônia dos últimos 13 anos e o dobro de armas na mão de civis em 3 anos, chegando a 1,2 milhão registradas na Polícia Federal, para citar apenas alguns dados.

Motivos para insatisfações não faltam, e quando mais precisamos dela, a política deixou de ser um espaço para resolvê-las. Com níveis de confiança nas instituições públicas baixíssimos, sendo maior a confiança nas Forças Armadas do que no Congresso Nacional, segundo pesquisas de opinião do Datafolha (2019) e Ibope (2020), milhares de brasileiros lançaram sua sorte no dia 7 de setembro. Em grito uníssono “Eu autorizo!” deram carta branca às supostas bravatas do presidente Jair Bolsonaro. Ele discursava sobre os inimigos da nação, colocava em questão a realização de eleições seguras em 2022 e se punha acima da lei, dizendo em tom claro que não respeitaria decisões judiciais que o prejudicassem. 

Este desrespeito à Constituição Federal e à democracia não só promove o caos social e a desarmonia entre os poderes, como impede o país de resolver os seus problemas reais. O valor da política, do diálogo e da pluralidade, não encontra lugar em um ambiente de conflito e tensionamento entre poderes, desinformação e ataques à imprensa e de permissividade com práticas não republicanas, clientelistas e corruptas. A democracia é condição para que o Brasil alcance um novo patamar de desenvolvimento e bem-estar no futuro. O Meio Ambiente depende da Democracia para continuar existindo. E vice-versa.

As ameaças à sustentabilidade das presentes e futuras gerações exige urgente enfrentamento que não pode ser adiado. Entretanto, em vez de debater soluções para enfrentar os desafios relacionados às desigualdades sociais, às mudanças climáticas, à violência e à crise econômica, o país ainda se divide. A guerra da informação, a mais capilarizada e global dos nossos tempos, que vem afetando democracias em todo o planeta e autorizando lideranças autoritárias a colocarem em marcha seu projeto de poder, torna impossível a construção de uma visão comum. Esta é a importância das investigações em curso sobre as fake news.

A sociedade civil organizada em entidades, movimentos e coalizões, responsável e vigilante, vem atuando para conter os danos causados e denunciando o desmonte de políticas públicas e as violações aos direitos duramente conquistados nos últimos anos, mas sua voz vem sendo abafada. Não importa quantas vezes digam “basta”, enquanto autoridades, personalidades e os “cidadãos de bem” minimizarem as irresponsabilidades do governo e aceitarem, plácidos, os atos e omissões que trouxeram o país até aqui, não haverá no horizonte um país capaz de andar para frente, em direção a um futuro melhor.

Apesar do recuo de Bolsonaro e tentativa de neutralizar a gravidade dos atos que cometeu, não é possível ter como presidente da nação uma pessoa que tem nos colocado à mercê de uma insegurança institucional enorme. Por isso, defendemos a abertura do processo de impeachment, para que as disputas políticas possam levar a um novo acordo, que rechace em absoluto tentativas golpistas e garanta um ambiente pacífico para a realização de eleições seguras em 2022.

O IDS em defesa da democracia no Brasil.

Devemos agir imediatamente!

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